UMA FRAÇÃO DE SEGUNDO
Uma fração de segundo...
É esse o tempo que leva pra tudo mudar.
Já pensou o que você pode fazer em um segundo?
E melhor: já pensou o que você pode deixar de fazer?
Eu estava passando aspirador aqui em casa e, num determinado momento, deixei o aspirador num canto e saí pra tirar uma cadeira de um outro lugar que eu ia limpar. De repente, o aspirador, que estava encostado em uma parede, pareceu ter caído. Olhei e vi meu filho de 5 anos com a mão esticada na direção do aspirador.
Qual foi a primeira coisa que eu pensei? Qual? Pois é... Eu pensei exatamente que meu filho tinha derrubado. Só que, bem na hora em que eu tive esse pensamento, ele me fala:
– Papai, o aspirador começou a cair, e eu tentei pegar, mas não consegui. Foi quase.
Aí eu respirei fundo e pensei que numa fração de segundo tudo pode mudar, podemos ter uma atitude errada, um pensamento equivocado, um olhar torto ou qualquer outra interpretação equivocada.
Nessa quarentena vamos respirar mais.
Esses pequenos humaninhos podem estar mais ansiosos, mais perdidos, talvez até mais angustiados do que a gente.
Só que eles ainda não se expressam tão bem. O jeito deles é diferente: se expressam com uma birra, um choro, talvez até com uma grosseria ou desobediência.
Somos nós que devemos guiá-los neste momento – principalmente neste momento.
Estar presente, pelo menos um pouco por dia; se puder, muito por dia.
E estar presente não é estar no mesmo lugar, mas estar sintonizado com o outro. Eu costumo dizer que estar presente é seguir com o olhar, sentir a pessoa. Sabe quando seu filho faz um barulhinho, você olha e não é nada? Aí vocês se olham (bolinha com bolinha do olho) e depois seguem o que estavam fazendo com a certeza de que está tudo bem? E durou só um segundo.
Isso serve pra qualquer relação. Estar realmente presente é passar segurança e se sentir seguro. É disso que precisamos neste momento.
Antes de qualquer decisão, bronca, briga, reclamação, opinião diferente, lembre-se de que todos estamos no mesmo barco: nervosos, ansiosos, inseguros, cheios de dúvidas, sensíveis, com vontade de socar uns e de pegar outros no colo e abraçar muito.
Estamos longe, mas estamos juntos.
Estamos com medo, mas não estamos sozinhos.
Estamos com muuuuuuitas saudades, mas vamos reencontrar-nos.
Vamos nos ajudar.
E a melhor ajuda que podemos dar nesse momento é pra quem está perto, pra quem está do nosso lado, pra pessoa com quem estamos falando, pra quem estamos vendo e ouvindo. E a cada segundo devemos lembrar que uma respiraçãozinha a mais vai ajudar-nos a ter um problema a menos.
É olhar para aquilo que irritou e saber que vida não é isso – a vida não é só isso.
Por uma fração de segundo, deixe passar.
Por uma fração de segundo, desvie.
Elogie.
Por uma fração de segundo, olhe.
Toque.
Sinta.
Ouça.
Sorria.
Faça alguém rir.
Converse.
Por dez frações de segundo, brinque, brinque e brinque mais.
Por uma fração de segundo, permita-se.
Entenda.
Compreenda.
Ame.
E se deixe amar.
E lembre-se: a principal corrente do bem da qual podemos participar neste momento começa na nossa casa.
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