terça-feira, 17 de setembro de 2019

O que você deixa entrar 




O que você deixa entrar na sua vida?
Somos tão bombardeados de informações, compromissos, mensagens e conversas que muitas vezes não paramos para analisar o que estamos deixando fazer parte de nossa vida.
Eu tive um pesadelo esses dias e isso me fez pensar que a maioria das coisas que acontecem com a gente só são possíveis porque deixamos que elas aconteçam, ou no mínimo somos coniventes e distraídos a ponto de deixar.
Pois bem, o fato é que somos responsáveis por tudo o que acontece conosco, de bom ou de ruim, pelas nossas escolhas vamos pautando o que deixamos acontecer em nossas vidas, em nossos pensamentos, sentimentos e emoções.
Se você está numa festa, uma pessoa fala algo que não te agrada e você se irrita, a culpa é de quem? Da pessoa que falou? Do mundo? De Deus? Da festa? De quem falou pra você ir? Da bebida? Ou SUA, por ter se abalado, se desequilibrado, estar fragilizado diante de tal assunto, por ter deixado entrar algo que não queria em sua mente?
Quando você bebe mais do que deveria e passa mal, a culpa é de quem? Do copo, da garrafa, da bebida, da pessoa que te ofereceu, da música, das estrelas ou SUA, por ter se permitido e "deixado entrar" mais do que deveria?
E isso se aplica a muitas coisas.
Engravidou sem querer? Deixou entrar...
Respondeu a uma grosseria? Deixou entrar a raiva...
Passou no farol vermelho e atropelou alguém? Deixou entrar a imprudência...
Está em um relacionamento infeliz? Está deixando a infelicidade entrar e ficar...
Comeu mais do que deveria e engordou? Pois é...
Posso ficar aqui citando muitos exemplos do que "deixamos entrar" em nós e atrapalha a nossa vida.
São decisões, emoções, pensamentos, atitudes e muitas vezes falta de coragem para dizer “não” que nos fazem aceitar ou agir de uma forma da qual podemos nos arrepender depois.
E muitas vezes não existe esse depois. A segunda chance não virá, e a nossa vida ou a de outra pessoa poderá ser diretamente atingida por segundos de uma decisão equivocada, ou errada mesmo.
Se você já é crescidinho, provavelmente já tem o acesso e o conhecimento necessários para saber o que é certo ou errado pra si mesmo e pra maioria das pessoas. Não tem mais desculpa. Você sabe o que faz e o que pode acontecer.
Não "deixe entrar" em sua vida o que não te faz bem, não deixe entrar em sua vida o que fará mal pra uma outra pessoa. Trabalhe sua mente pra tentar se controlar diante das tentações, pois muitas delas te farão se arrepender depois.
Tem outra coisa: muitas vezes não percebemos, mas essas tentações estão bem próximas de nós, nos envolvendo sem percebermos e nos manipulando. É aí que mora o perigo porque, na maioria das vezes em que nos deixamos levar por uma tentação momentânea, perderemos algo que é realmente importante, na maioria mais do que o que causou tal deslize.
Já vi traições insignificantes acabarem com casamentos bacanas. Em muitos casos o que acaba não é o amor, mas um certo interesse, que vai abrindo espaço para outro, deixando outra pessoa entrar na vida e influenciando indiretamente o relacionamento. Acredito que isso acontece porque um permitiu a um outro entrar, abriu a porta, se deixou levar, ficou vulnerável e, em vez de buscar a solução para o problema, colocou tudo debaixo do tapete e foi levando e se deixando envolver.
Deixou entrar uma outra pessoa, deixou entrar o tédio, deixou entrar a discussão, deixou entrar a rotina, “deixou entrar” tudo o que pode destruir. Isso em relações que ainda existe amor para ser destruído, naturalmente.
Existe um sutil envolvimento em muitas situações que, se não prestarmos a atenção devida e não percebermos que estamos nos deixando levar, certamente nos farão mal. E esse detalhe é que pode deixar-nos numa pior. Se enxergarmos e bloquearmos o erro, ficaremos em paz. E nada é melhor do que estar em paz.
Existem muitas coisas interessantes pelo mundo que podem até ser sedutoras, mas a que preço? Se você estiver disposto a pagar, tudo bem: assuma os riscos e vá com tudo, mas não se lamente depois.
Só gostaria de deixar esse alerta para que todos tomassem cuidado com o que estão deixando entrar em suas vidas, que prestassem mais atenção no que fazem, no que pensam, no que falam, sentem e transmitem.
Temos que nos controlar mais, só que não para agradar ninguém, mas para estarmos bem internamente, sem nos deixarmos influenciar por aquilo que quase não percebemos, mas estava à nossa frente acontecendo ou prestes a acontecer.
Depois de um tempo, a vida começa a passar rápido, tudo passa a ter uma intensidade maior, todos vão ficando mais emotivos, mais emocionais, mais impacientes e intolerantes. É nesse momento que temos de nos proteger, nos defender, nos fechar para o que não nos faz bem, para o que pode nos tirar do eixo, do equilíbrio, e levar embora nossas bases.
Não se deixe levar pelo momento, não se deixe influenciar por quem não quer o seu melhor, não tente sempre agradar o outro. Cuidado: a vida é pra ser vivida com pensamentos leves.
Tenhamos consciência daquilo que estamos fazendo, olhemos para nós e para quem está próximo, respiremos antes de tomarmos qualquer atitude.
Muita briga poderá ser cessada, muita droga distanciada, muito acidente evitado, muita discussão nem começada, muito filho não machucado, muitos pais não magoados, muito casal não separado e muita, muita, muita gente mais feliz.
Quanto mais eu converso com as pessoas, mais eu percebo que o que todos mais querem é uma vida mais calma, equilibrada, com mais sorrisos, passeios, companhias agradáveis, bons papos e cumplicidades.
Por isso temos de abrir os olhos da alma para enxergarmos o que realmente nos importa, deixarmos trancado do lado de fora – sem “deixar entrar” – tudo aquilo que, direta ou indiretamente, nos distancia da nossa felicidade e daquilo que importa em nossa vida.

sexta-feira, 6 de setembro de 2019


Aos 15 anos



Eu já tive 15 anos.

Sinceramente eu não lembro tão bem dos meus 15 anos...

Sei que eu tinha inseguranças, medos, incertezas e uma certa revolta por certas coisas não serem exatamente como eu queria.

Olha, algumas coisas mudaram, outras não.

A verdade é que nunca foram como eu queria, e isso faz parte do crescer, do viver: as coisas nunca serão 100% do jeito que queremos. O truque é saber se adaptar e seguir em frente.

O que muda é o modo como lidamos com as situações e emoções, pois a vida sempre continua, não importa como, o que vale é o modo como vamos encarando tudo o que sentimos e vamos nos superando.

Lembro que as paqueras me amedrontavam. Era como se nenhuma garota se interessava por mim, ou será que era eu que não percebia e nem sabia lidar com elas? Será que a gente aprende?

Meus amigos eram muito fodões, bons em tudo, e eu não era bom em quase nada. Depois de um tempo eu percebi que eles não eram nada disso e que eu era muito mais do que imaginava.

Confesso que não gostava de estudar. Se hoje eu pudesse dar um conselho a alguém, aconselharia a estudar. Não para ser o melhor da turma, não com intenções financeiras, mas porque faz bem ter conhecimento, saber das coisas, e o hábito de estudar, de parar tudo para focar em alguma coisa nos treina para a vida toda, para sua futura profissão, seu ofício e até mesmo para ninguém nos enganar.

A pureza dessa fase era a pureza dos sentimentos. Os 15 anos têm uma magia, uma verdade nos sentimentos, quem você ama marcará para toda a vida, e os sentimentos que temos são puros, sinceros, talvez os mais sinceros da nossa vida, pois muitos deles serão os primeiros.

Talvez seja o começo da última fase da formação da personalidade, o momento em que nos espelhamos em certas pessoas (tios, amigos mais velhos, irmãos), e vamos buscando referências nas pessoas próximas, nos artistas, para nos moldarmos.

Uma fase em que queremos e podemos vestir o que quisermos, comer de tudo, desfrutar de um sono profundo no meio da tarde sem preocupações e sem ter feito um exame de endoscopia.

Nossa pele é sensacional e nunca mais será igual. Nosso corpo é ativo, vivo, disposto, se recupera rápido e nem precisa de tanto perfume e desodorante, porém nosso conhecimento sobre ele ainda é fraco – o que representa um desafio. Mas eu digo aos jovens: “Calma. Nenhum corpo é perfeito, e todos nós temos as nossas neuras em relação ao próprio corpo, mas com o tempo vamos aprendendo a lidar com ele, a aceitá-lo do jeito que é a amá-lo.

Eu me lembro do lugar onde morei, do cheiro da rua, das pessoas que me davam atenção, da escola, dos dias de chuva em que eu não podia sair, dos bolos da minha mãe, das garotas por quem me apaixonava toda semana e ninguém sabia e, acreditem se quiser, dos passarinhos cantando.

Ah, seu eu tivesse meus 15 anos de volta...

Ah, seu eu tivesse meus 20 anos de volta...

Ah, seu eu tivesse meus 25 anos de volta...

Melhor parar.

Melhor aproveitar cada momento que temos hoje, viver intensamente o agora como nunca vivemos lá atrás, pois é disso que é feito o viver.

Naquela época minhas emoções eram confusas, e eu realmente não sabia como digeri-las, e não tinha
muitos recursos internos para saber como pensar. Por isso eu acreditava em muitas criações da minha cabeça – algumas boas e outras mais ou menos. É como se a nossa clareza fosse afetada pela enxurrada de hormônios que estão aflorados.

E, como ninguém nos explica nada, vamos formando nossa mente com o que “pescamos” dos adultos, dos amigos e dos lugares aonde vamos – um perigo, pois nessa época da vida o nosso discernimento ainda não é dos melhores.

É... E seria sensacional ter alguém com quem contar, para desabafar, pedir conselho, chorar e principalmente tirar essas milhões de dúvidas e fantasmas que nos assombravam.

Hoje existe mais informação, ótimo.

Com o passar do tempo vamos percebendo que somos muito mais do que imaginávamos, mais bonitos, mais capazes, espertos, inteligentes, necessários e queridos.

Os 15 anos são perigosos, pois nos colocamos num lugar onde achamos que deveríamos estar para sermos aceitos, queridos e vistos por todos, quando na realidade quem nos ama de verdade já está ali, nos pequenos gestos, na presença, nas brincadeiras e nos abraços.

O fato é que essa fase tem de ser aproveitada da melhor forma possível, pois muitas pessoas que vivem com a gente nessa época não estarão em outras, como tios, avós, amigos, primos e até vizinhos, e te digo uma coisa: eles deixarão muitas saudades!

Os meus passaram rápido, mas ficou a sensação de poder ter vivido mais intensamente aquela fase, aquela em que eu não sabia de nada, mas podia tudo; em que tinha a todos, mas não percebia; em que era possível desbravar o mundo facilmente, mas não era.

Todos que fazem parte dessa fase sempre estarão com a gente por toda a vida, seja nas lembranças ou nos pensamentos; portanto, espero que os jovens saibam escolher suas companhias, seus amigos, amores, parentes, pois o que realmente fica pra sempre é o amor que doamos e recebemos das pessoas que realmente nos querem bem, mesmo que seja através de um simples olhar.


quarta-feira, 4 de setembro de 2019


Dias melhores virão



Ouvindo de uma pessoa a frase conhecida “depois da tempestade vem a bonança”, fiquei pensando que muitas vezes o ser humano fica esperando o dia de amanhã para fazer o melhor pela própria vida.

Mas será que temos que esperar até o dia seguinte pra fazermos o melhor? Esperar a tempestade passar por medo da chuva?

Pois bem, muita gente tem em mente que ainda vai fazer o melhor por si, melhorar em algo, mudar para melhor alguma coisa. Por que deixar para amanhã algo que provavelmente fará bem?

Imagine se você começasse a fazer hoje tudo de melhor que tem em mente – desde o modo como fala com as pessoas até a forma como lida consigo mesmo.

Fico pensando nas pessoas que deixam pra depois as demonstrações de afeto por seus pais, irmãos, filhos, primos e qualquer parente por quem tenha um carinho. Esse espaço de demonstrar cada vez mais vai aumentando, adiado pelo conforto e pela preguiça de tomar a atitude de demonstrar o que a gente sente.

Ao mesmo tempo, sempre ouço pessoas dizendo que vão começar a fazer uma dieta, a cuidar do próprio corpo e da própria saúde, porém vão deixando pra depois, por estarem bem e saudáveis, mas esquecendo que o tempo é implacável, e as piores doenças e problemas são silenciosos. Quando chegam, podem ser irreversíveis.

Mais ainda, nos dias de hoje, estamos sempre nos dizendo que seremos mais pacientes, tolerantes, calmos, seja no trânsito ou com quem convivemos, e no primeiro momento já soltamos logo um verbo indesejado, uma cara com a mesma intenção.

E os amores?

Quantas pessoas que se gostam e vivem dizendo pra si mesmas que amam a outra, mas nunca dizem pra quem realmente tem que saber. Encostam a cabeça no travesseiro com vontade de terem dito um milhão de coisas e não disseram nada, passam o dia sentindo várias coisas por alguém e guardam dentro de si, morrem de vontade de jogar tudo pro alto e se declararem, mas sempre deixam pra uma outra oportunidade, ou acham que ainda não é o momento. Chega a ser um egoísmo e autossofrimento.

Pois bem, danem-se os momentos!

Se não é agora, não mais será. Se não fizermos agora o que temos vontade de fazer – desde que seja para o bem –, poderemos não fazer nunca. Amanhã o mundo vai continuar girando, e tudo pode acontecer: acidentes, pragas, assaltos, doenças, brigas e muitas outras coisas que podem tirar a oportunidade de termos demonstrado o que sentimos. E talvez uma palavra, um olhar ou um beijo possa mudar tudo, desde que seja com verdade.

Não tomamos muitas atitudes por medo. Medo de não sermos correspondidos, aceitos, entendidos como gostaríamos… Medo de acharmos que estamos por baixo, de nos sentirmos vulneráveis, inferiores, quando na verdade é maior quem se assume mais e melhor, quem não tem medo do que é e sente.

Se conseguirmos jogar o medo pra lá, assumir e demonstrar tudo o que temos vontade, tenho certeza de que, além de ficarmos mais leves, teremos respostas jamais esperadas e que nos surpreenderão positivamente! Claro que teremos decepções também, pois quando esperamos algo podemos nos decepcionar, mas se fizermos sem esperar nada em troca, por amor, só a energia emanada já valerá a pena.

Talvez teremos como resposta um corpo melhor, uma pessoa mais próxima, uma palavra de amor, uma vida mais leve, plena e feliz, sem a angústia que carregamos toda vez que vamos empurrando com a barriga algo que podemos resolver agora.

Pra que deixarmos pra depois tudo o que temos vontade, tudo o que passa pela nossa cabeça? Podemos fazer agora, começar agora, plantar um pouquinho hoje, amanhã, e todos os dias ir fazendo mais por nós mesmos, por quem amamos, sem deixar pra depois a felicidade de nos tratar bem, de fazer feliz a quem está ao nosso lado e a nós mesmos.

O maior risco é termos um “não” como resposta, um desconforto passageiro, uma decepção momentânea, uma “ignorada” – o que é pequeno diante do que podemos ganhar, ainda mais se tivermos conscientes de que estamos dando sem querer nada em troca. 

Este é o verdadeiro amor: dar sem esperar receber – seja para si mesmo ou para alguém. Garanto que, se as palavras, atitudes ou pensamentos forem realmente sinceros, a felicidade terá dado mais um passo para perto do coração. E o retorno virá.

Os dias melhores virão agora, não depois, quando colocarmos em prática o que temos no coração, na mente, sendo sinceros com nós mesmos.

Talvez seja romantismo meu acreditar que tudo pode melhorar se existir amor nas demonstrações e intenções, que se não deixarmos pra depois podemos mudar o nosso mundo e o de quem amamos hoje.