quarta-feira, 24 de maio de 2023

DICA DE PAI - CONVERSE COM OS OUTROS


Nós, pais e cuidadores, muitas vezes temos a impressão de que nossos filhos estão fazendo coisas absurdas dentro de casa, que não estão agindo corretamente e muito menos cumprindo o que as regrinhas ditadas pelos que se dizem saber de tudo.

Pois bem, vou contar uma historinha:

Era uma vez um pai, eu, que começou a conversar com outros pais, e na primeira conversa contei que meu filho demorava para entrar no banho, que eu precisava falar com ele umas 4, 5 vezes e só depois disso ele entrava no banheiro e que, quando ele estava lá, tomando banho, demorava para sair e eu tinha que repetir o mesmo processo, chamá-lo 3, 4 e até 5 vezes.

Por surpresa minha, um amigo disse que a filha dele fazia a mesma coisa, demorava para entrar no banho e depois para sair, ou seja, nossos filhos, que têm a mesma faixa de idade, faziam a mesma coisa.

Comecei a rir e pensei que meu filho não era um extraterrestre, que provavelmente muitas coisas que ele fazia, que eu achava diferente, deviam ser iguais às coisas feitas por outras crianças. Então decidi começar a contar essa história para outros pais e ver o que acontecia.

Na primeira oportunidade em que eu fiz isso, descobri que outras crianças tinham essa mesma característica: davam um certo trabalho na hora de tomar banho.

Ao chegar em casa após essas conversas, mudei meu modo de enxergar essa situação: passei a ver com mais compreensão esse tipo de atitude do meu filho, pois aprendi que era algo da fase e da idade em que ele está.

Ficar pedindo várias vezes para ele fazer alguma coisa não é a situação mais satisfatória do mundo, ter que ficar repetindo e repetindo o mesmo discurso pode levar a um esgotamento e a uma irritação que atrapalham e podem causar conflitos, brigas e até castigos.

Embora não seja o ideal ter que ficar insistindo para eles fazerem algo que deveria ser natural e espontâneo, ficar irritado e bravo não vai ajudar. Achei melhor tentar entender que essas atitudes (a demora para atender a um pedido) fazem parte do processo de aprendizado dessas crianças, e isso tem me ajudado justamente a ensiná-lo que o caminho mais correto é começar a fazer o que tem que ser feito sem que nós precisemos ficar repetindo várias vezes.

Para isso troquei o tom de voz mais incisivo por um mais explicativo, ou seja, comecei a mostrar que, se ele fizesse suas tarefas mais rápido, com a mesma qualidade, teria mais tempo para fazer o que tinha vontade, aqui em casa chamamos de “tempo livre” ou “tempo legal”.  

Comecei a explicar que fazer suas atividades com mais foco ajudaria ele a concluir mais rápido e com mais qualidade tudo o que precisava ser feito. (Aliás, retirei um trecho de um filme para dar um exemplo do que é foco — quem quiser é só me pedir, e eu envio.)

Ainda temos muito o que fazer, pois o foco se perde rapidinho, tanto que em outros momentos continuo chamando mais de uma vez para fazer certas coisas e ainda preciso ficar de olho em quase tudo o que ele faz.

Mas o fato é que está havendo uma melhora. Eu já percebo que em alguns momentos só de falar ele já entra no banho, já tem ficado menos tempo no banheiro e fazendo outras atividades, como arrumar sua mochila da escola — isso eu nem preciso mais pedir. Está perfeito? Claro que não. Mas está fluindo e melhorando. Aliás, perfeito nunca será. E, convenhamos, uma pessoa muito perfeitinha fica um pouco sem graça, né?

Depois de toda essa reflexão, o que quero realmente dizer e pontuar é que eu achava que só o meu filho tinha algumas questões a serem resolvidas dentro de casa, que ele dava um trabalho a mais para fazer determinadas atividades, mas não é nada disso.

Ao conversar com outros pais, eu vi que temos muito em comum, que as crianças são parecidas em alguns pontos e que, quando conversamos e contamos para quem confiamos o que estamos passando, descobrimos que tudo é mais normal do que parece.

Descobrir que outras famílias passam por situações parecidas, que nossos filhos não estão agindo de forma única e errada, torna o nosso convívio em casa um pouco mais suave.

Portanto, conversem mais com outros pais e criadores, dividam as situações pelas quais estão passando, compartilhem suas angústias e dificuldades com quem pode estar passando por algo parecido... E assim vamos descobrindo que não somos os únicos, que não estamos sozinhos e podemos recorrer a quem passa por algo semelhante.

Podemos aprender com os outros e até mesmo servir de exemplo; porém, quando nos isolamos, perdemos a chance de evoluir em conjunto e de ajudar nossas crianças a crescer com maior amparo.

Lembre-se: nossos filhos não são extraterrestres, eles fazem criancices; e nós, pais e cuidadores, vamos ajudando, direcionando e tentando contribuir para que a vida deles se torne uma experiência mais suave, cheia de entendimento e amor.  

                                                                                                                                                                

Aproveito e indico meu livro em que escrevi minhas histórias com meu filho para que pais e mães vejam que, mesmo diante de uma dificuldade, o amor prevalece e ajuda a resolver os problemas:

https://www.amazon.com.br/dp/B0BF4C83J8?fbclid=PAAaYySFuTTcwZ_UFy7sCSq_eODnaFLg81ojIF_6ka4Hh9jJYYX_lyy9bggZQ

E quem puder compartilhe. 🙏

 

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