Aos 15 anos
Eu já tive 15 anos.
Sinceramente eu não lembro tão bem dos meus 15 anos...
Sei que eu tinha inseguranças, medos, incertezas e uma certa revolta por certas coisas não serem exatamente como eu queria.
Olha, algumas coisas mudaram, outras não.
A verdade é que nunca foram como eu queria, e isso faz parte do crescer, do viver: as coisas nunca serão 100% do jeito que queremos. O truque é saber se adaptar e seguir em frente.
O que muda é o modo como lidamos com as situações e emoções, pois a vida sempre continua, não importa como, o que vale é o modo como vamos encarando tudo o que sentimos e vamos nos superando.
Lembro que as paqueras me amedrontavam. Era como se nenhuma garota se interessava por mim, ou será que era eu que não percebia e nem sabia lidar com elas? Será que a gente aprende?
Meus amigos eram muito fodões, bons em tudo, e eu não era bom em quase nada. Depois de um tempo eu percebi que eles não eram nada disso e que eu era muito mais do que imaginava.
Confesso que não gostava de estudar. Se hoje eu pudesse dar um conselho a alguém, aconselharia a estudar. Não para ser o melhor da turma, não com intenções financeiras, mas porque faz bem ter conhecimento, saber das coisas, e o hábito de estudar, de parar tudo para focar em alguma coisa nos treina para a vida toda, para sua futura profissão, seu ofício e até mesmo para ninguém nos enganar.
A pureza dessa fase era a pureza dos sentimentos. Os 15 anos têm uma magia, uma verdade nos sentimentos, quem você ama marcará para toda a vida, e os sentimentos que temos são puros, sinceros, talvez os mais sinceros da nossa vida, pois muitos deles serão os primeiros.
Talvez seja o começo da última fase da formação da personalidade, o momento em que nos espelhamos em certas pessoas (tios, amigos mais velhos, irmãos), e vamos buscando referências nas pessoas próximas, nos artistas, para nos moldarmos.
Uma fase em que queremos e podemos vestir o que quisermos, comer de tudo, desfrutar de um sono profundo no meio da tarde sem preocupações e sem ter feito um exame de endoscopia.
Nossa pele é sensacional e nunca mais será igual. Nosso corpo é ativo, vivo, disposto, se recupera rápido e nem precisa de tanto perfume e desodorante, porém nosso conhecimento sobre ele ainda é fraco – o que representa um desafio. Mas eu digo aos jovens: “Calma. Nenhum corpo é perfeito, e todos nós temos as nossas neuras em relação ao próprio corpo, mas com o tempo vamos aprendendo a lidar com ele, a aceitá-lo do jeito que é a amá-lo.
Eu me lembro do lugar onde morei, do cheiro da rua, das pessoas que me davam atenção, da escola, dos dias de chuva em que eu não podia sair, dos bolos da minha mãe, das garotas por quem me apaixonava toda semana e ninguém sabia e, acreditem se quiser, dos passarinhos cantando.
Ah, seu eu tivesse meus 15 anos de volta...
Ah, seu eu tivesse meus 20 anos de volta...
Ah, seu eu tivesse meus 25 anos de volta...
Melhor parar.
Melhor aproveitar cada momento que temos hoje, viver intensamente o agora como nunca vivemos lá atrás, pois é disso que é feito o viver.
Naquela época minhas emoções eram confusas, e eu realmente não sabia como digeri-las, e não tinha
muitos recursos internos para saber como pensar. Por isso eu acreditava em muitas criações da minha cabeça – algumas boas e outras mais ou menos. É como se a nossa clareza fosse afetada pela enxurrada de hormônios que estão aflorados.
E, como ninguém nos explica nada, vamos formando nossa mente com o que “pescamos” dos adultos, dos amigos e dos lugares aonde vamos – um perigo, pois nessa época da vida o nosso discernimento ainda não é dos melhores.
É... E seria sensacional ter alguém com quem contar, para desabafar, pedir conselho, chorar e principalmente tirar essas milhões de dúvidas e fantasmas que nos assombravam.
Hoje existe mais informação, ótimo.
Com o passar do tempo vamos percebendo que somos muito mais do que imaginávamos, mais bonitos, mais capazes, espertos, inteligentes, necessários e queridos.
Os 15 anos são perigosos, pois nos colocamos num lugar onde achamos que deveríamos estar para sermos aceitos, queridos e vistos por todos, quando na realidade quem nos ama de verdade já está ali, nos pequenos gestos, na presença, nas brincadeiras e nos abraços.
O fato é que essa fase tem de ser aproveitada da melhor forma possível, pois muitas pessoas que vivem com a gente nessa época não estarão em outras, como tios, avós, amigos, primos e até vizinhos, e te digo uma coisa: eles deixarão muitas saudades!
Os meus passaram rápido, mas ficou a sensação de poder ter vivido mais intensamente aquela fase, aquela em que eu não sabia de nada, mas podia tudo; em que tinha a todos, mas não percebia; em que era possível desbravar o mundo facilmente, mas não era.
Todos que fazem parte dessa fase sempre estarão com a gente por toda a vida, seja nas lembranças ou nos pensamentos; portanto, espero que os jovens saibam escolher suas companhias, seus amigos, amores, parentes, pois o que realmente fica pra sempre é o amor que doamos e recebemos das pessoas que realmente nos querem bem, mesmo que seja através de um simples olhar.

As reflexões são ótimas
ResponderExcluir����������
Obrigado.
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